08/10/2005 "Federação Portuguesa de Futebol"
Estamos no Mundial!

A Selecção Nacional - Clube Portugal carimbou, este sábado, o passaporte para o Mundial de 2006, na Alemanha. Portugal, que apenas necessitava de somar um ponto na partida deste sábado, no Estádio Municipal de Aveiro, venceu o Liechtenstein, por 2-1, numa partida em que os comandados de Luiz Felipe Scolari tiveram de saber sofrer para conquistar o triunfo. A ‘equipa de todos nós’ fez história, ao conseguir, pela primeira vez, marcar presença em duas fases finais consecutivas de Campeonatos do Mundo.


O jogo desta noite foi aquilo que Luiz Felipe Scolari havia previsto quando falou aos jornalistas na Conferência de Imprensa que antecedeu o encontro. Portugal precisou de ser paciente para levar de vencido um opositor muito voluntarioso e concentrado nas tarefas defensivas e que procurou, nas saídas para o contra-ataque, surpreender a nossa Selecção, mostrando que longe vão os tempos das derrotas por 0-8.

A Equipa das Quinas iniciou o jogo com vontade de chegar rapidamente ao golo. Sinal disso mesmo, foi a oportunidade desperdiçada por Cristiano Ronaldo, logo no primeiro minuto da partida. Luís Figo apontou um livre do lado direito do ataque luso e Ronaldo, no coração da área do Liechtenstein, não conseguiu tocar o esférico para o fundo das redes de Peter Jehle.

Este lance deu o mote para aquilo que viria a ser todo o encontro. Portugal a comandar as operações e a empurrar o seu opositor para o seu meio terreno defensivo. As oportunidades sucederam-se a um ritmo alucinante. Pauleta (13’, 22’, 36’ e 45’) foi um dos elementos mais activos e, consequentemente, um dos mais perdulários. E quando a Selecção não conseguia penetrar na área do Liechtenstein, os atletas lusos procuraram surpreender o inspirado Peter Jehle, com remates de longe. Maniche (15’), Petit (18’ e 21’) e Cristiano Ronaldo (43') deram, desta forma, mostras do seu inconformismo.

O golpe de teatro surgiria, no entanto, aos 32 minutos. Num lance aparentemente controlado pela defesa nacional, Paulo Ferreira e Ricardo desentenderam-se e Benjamin Fischer, muito rápido, aproveitou para fazer o primeiro golo da partida.

Um baldo de água fria que teve a melhor resposta das lotadas bancadas do Municipal de Aveiro, com o público a mostrar que estava com a ‘equipa de todos nós’. No relvado, a reacção lusa não se fez esperar. Três minutos após, Luís Figo teve nos pés o tento da igualdade. Já com o guarda-redes adversário batido, o capitão português viu o seu remate ser desviado por Fábio D’Elia para canto. Este lance ficou, no entanto, envolvido em polémica uma vez que deu toda a sensação de o defesa do Liechtenstein ter cortado a bola com a mão.

Até ao intervalo, Portugal tudo tentou para regressar aos balneários pelo menos em igualdade, mas os erros de pontaria do ataque luso, numas ocasiões, e o acerto defensivo da formação da Europa central, por outro, inviabilizaram as intenções dos comandados de Luiz Felipe Scolari.


Pauleta abriu ‘caixa forte’ do Liechtenstein

Depois de 45 minutos em que a nossa Selecção desperdiçou inúmeras oportunidades, a etapa complementar começou da melhor forma possível, com o golo de Pauleta. O açoriano concluiu da melhor forma um cruzamento da esquerda de Cristiano Ronaldo, cabeceando para o fundo das redes do Liechtenstein. Estava quebrada a barreira defensiva adversária e Portugal aproximava-se a passos largos do Mundial da Alemanha.

Apenas oito minutos depois, a Selecção Nacional teve uma oportunidade soberana de se colocar na frente do resultado. Daniel Hasler derrubou Pauleta na área e, desta vez, o juiz polaco, Grzegorz Gilewski, não teve dúvida em apontar para a marca de grande penalidade. No entanto, na cobrança do castigo máximo, Luís Figo acabou por rematar por cima do travessão, gorando-se o 2-1.

Até ao segundo e decisivo golo da partida, Cristiano Ronaldo (67’) e Petit (69’), ambos na transformação de livres directos, quase conseguiam operar a reviravolta no marcador. Um feito que esteve nos pés de Pauleta, aos 73 minutos, com o avançado português a desferir um remate que levou a bola a passar muito perto do poste direito da baliza contrária. Ainda não foi desta que Pedro Pauleta conseguiu destornar Eusébio do ‘trono’ de melhor marcador da nossa Selecção.

Faltavam apenas cinco minutos para o final do encontro, quando Nuno Gomes coloriu, ainda mais, a noite de Aveiro, apontando o golo da vitória, num lance aéreo algo confuso na área do Liechtenstein.

Agora é tempo de festejar. O Mundial está já aí!
Parabéns Portugal!


Ficha de Jogo
Estádio Municipal de Aveiro
Árbitro: Grzegorz Gilewski (Polónia)
Árbitros Assistentes: Maciej Wierzbowski e Slawomir Stempniewski (Polónia)
4º Árbitro: Tomasz Mikulski

Portugal: Ricardo, Paulo Ferreira, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Petit, Maniche (Tiago, 71’), Simão Sabrosa (Hugo Viana, 75’), Figo, Cristiano Ronaldo (Nuno Gomes, 83’) e Pauleta.
Suplentes não utilizados: Quim, Miguel, Caneira e Boa Morte.
Treinador: Luiz Felipe Scolari
Golos: Pauleta (49’) e Nuno Gomes (85’)
Cartões Amarelos: Nuno Valente (19’) e Cristiano Ronaldo (29’)

Liechtenstein: Peter Jehle, Martin Telser, Michael Stocklasa, Daniel Hasler, Fabio D’Elia, Martin Stocklasa, Thomas Beck (Daniel Steuble, 88’), Ronny Büchel, Benjamin Fischer (Roger Beck, 56’), Mario Frick (Raphael Rohrer, 51’)e Franz Burgmeier.
Suplentes não utlizados: Claudio Alabor, Martin Büchel, Daniel Frick e Franz-Joseph Vogt.
Treinador: Martin Andermatt
Golos: Benjamin Fischer (32’)
Cartões Amarelos: Michael Stocklasa (12’), Mario Frick (29’) e Franz-Joseph Vogt (56’).