28/06/2006  "A Bola" (online)
Não somos equipa violenta

Os ecos da vitória de Portugal frente à Holanda continuam na ordem do dia. Pelas declarações de Valentin Ivanov, pela posição assumida pela Federação Portuguesa de Futebol, mas também pela defesa assumida ontem por Deco. O número 20 da Selecção Nacional recusa que se apelide a equipa que defende de violenta. Quanto ao jogo com a Inglaterra... não há favoritos.

Deco considerou que é «triste» ver um árbitro, no caso o russo Ivanov, acusar Portugal de jogar à margem das leisPode não voltar a jogar no Mundial. Como está o seu estado de espírito? Ainda espera ser despenalizado pela FIFA?
— Sem dúvida que gostaria de jogar frente à Inglaterra. É triste um jogador ficar de fora de um jogo destes, recebi um cartão injusto, a FIFA é soberana, mas o mais importante é que aqueles que jogarem o façam bem. Espero que os jogadores que alinharem no meu lugar e no do Costinha ajudem a equipa a fazer mais um jogo no Mundial. Sobre a despenalização já foi tudo dito e não faço comentários.
Acha que a falta que cometeu foi suficiente para ver o segundo cartão amarelo nesse jogo?
— A FIFA mudou algumas coisas, mas aquela foi uma situação normal. Não quis ganhar tempo, mas apenas entregar a bola ao Giovanni [Van Bronckhorst]. Só que de repente o Cocu ficou ao meu lado, nada pude fazer, mas o árbitro entendeu mostrar o segundo cartão amarelo. A situação foi triste, porque naquele momento Portugal ficou apenas com nove jogadores e as coisas complicaram-se bastante.
O que sentiu quando apanhou o primeiro cartão amarelo pela entrada sobre Heitinga?
— Foi uma reacção... A bola era nossa quando o árbitro parou o jogo, eu e o Luís falámos com o Cocu, que nos disse que ia pô-la fora. Afinal, ele deu a bola ao defesa-direito e ele foi para a nossa baliza. Daí ter havido aquela reacção da minha parte. Aliás, se houve falta de fair play ou jogo sujo, entre aspas, não foi da nossa parte. E mesmo depois de ter sido expulso, numa situação em que a bola era nossa, eles fizeram a mesma coisa.

Falta de respeito

Valentin Ivanov já disse que os portugueses são conhecidos pelo jogo sujo e entradas por trás. Como é que interpreta estas declarações? — Como árbitro não devia fazer essas declarações, pois se houve entradas duras foram das duas partes, muito especialmente sobre o Cristiano. É triste ver o árbitro dizer coisas dessas, mas ele é livre de dizer o que quer. Nós também podíamos dizer muitas coisas sobre ele, mas preferimos manter o respeito, que é coisa que ele não fez.
Acha que esta Selecção está marcada pelos árbitros? É um alvo a abater?
— Espero que não e que as coisas continuem com normalidade. Nós não somos uma equipa violenta, este jogo foi atípico, acho que não haverá mais nenhum jogo com tantos cartões, mas não foi só da nossa parte. Acho, também, que os árbitros estão a mostrar cartões com muita facilidade, pois tem sido habitual em faltas normais os jogadores verem o cartão amarelo. Mas não se podem tirar grandes conclusões.
O triunfo frente à Holanda fortaleceu ainda mais o grupo?
— A vitória com a Holanda foi fantástica, pois jogámos bem e estivemos sempre em vantagem. Antes do jogo, os holandeses referiram-se ao encontro com alguma superioridade, e isso ajudou-nos e deu-nos mais ânimo. Pela maneira como essa vitória foi conseguida ainda nos motivou mais para o jogo com a Inglaterra.

Não há favoritos

Portugal é favorito frente aos ingleses?
— Acho que não há favoritos. Vencemos a Inglaterra no Euro nas grandes penalidades, um jogo muito difícil, e acredito que agora será um desafio muito complicado para as duas equipas. Sinceramente, não vejo favoritos.
A sua saída da equipa, mais a de Costinha, implica modificações. Quem acha que é o jogador mais bem posicionado para ocupar a sua posição?
— Essa é uma pergunta que tem de fazer ao mister, mas acho que os jogadores que vão jogar têm capacidade para nos substituir à altura. No jogo com o México isso ficou demonstrado, pois os que entraram jogaram bem.