27/06/2006  "A Bola" (online)
Basta!

Um preocupante hematoma na coxa direita coloca Cristiano Ronaldo em risco para o importante jogo com a Inglaterra, depois de o ter afastado prematuramente do relvado na partida com a Holanda. O avançado português continua a ser vítima da agressividade adversária. Em Nuremberga, a acção de Boulahrouz roçou a violência. É altura de dizer basta. Deixem o craque jogar!

Aos dois minutos sofreu a primeira falta, aos seis foi alvo de uma entrada grave por parte do central holandês, que deixou cravados os pitons das suas botas na coxa direita de Cristiano Ronaldo. O avançado português prosseguiu em campo, apelando ao espírito de sacrifício que cada vez mais caracteriza a equipa portuguesa.
Mas à passagem da meia-hora depois de várias incursões ao banco, para ser assistido, a jovem estrela portuguesa foi obrigado a pedir a substituição.
Scolari insistiu na sua permanência em campo, mas era humanamente impossível exigir-lhe mais esforço. Cristiano Ronaldo teve mesmo de sair do campo ao minuto 37, sentando-se imediatamente no banco para uma imagem tocante: as lágrimas escorreram-lhe pelo rosto, fruto de uma revolta interior grande, perfeitamente compreensível à luz de um atleta de quem sempre muito se espera e que até tinha entrado bem no jogo, sacando dois cartões amarelos a jogadores contrários.
O hematoma agravou-se ainda no decorrer do encontro. Daí a sua substituição, porque pela frente havia ainda muito tempo de jogo. O médico Henrique Jones explicou ontem que, caso tivesse continuado em campo, «corria o risco de aumentar o hematoma», o que impossibilitava a sua permanência no relvado durante muito mais tempo. Por isso saiu, abrindo algumas perspectivas de utilização para o desafio seguinte.
O jogo com a Holanda mostrou, uma vez mais, que Cristiano Ronaldo é um alvo a abater por parte dos jogadores adversários. Talvez agora se compreendam melhor as reacções intempestivas nos jogos de preparação com Cabo Verde e com o Luxemburgo. O internacional português esteve mal ao responder com agressividade a essas entradas, mas tinha razão para ficar preocupado. Na altura, Scolari advertiu-o publicamente e talvez esse ensinamento lhe tenha sido útil para se mostrar, durante este Mundial, um jogador mais adulto e, sobretudo, mais preparado para os perigos e as eventualidades que um desafio de futebol pode proporcionar a um jogador com as suas qualidades.
A entrada do holandês Boulahrouz, incrivelmente poupado à expulsão directa, ultrapassou os limites. É hora de dizer basta! O futebol agradece.