| 04/07/2006 "A
Bola" (online) Pauleta, podemos contar contigo? Está um calor de ananases, como diria o Eça. O ar um tanto abafado e quente surpreende os cidadãos de Munique, pouco dados a estas temperaturas mediterrânicas. Dizem que o tempo vai mudar, até quarta feira, o dia do Portugal-França. Para já, Portugal permanece, ainda que por umas horas, concentrado no seu castelo mágico de Marienfeld. Calculo que seja com saudade que os jogadores vão dizer adeus a um lugar que lhes serviu de talismã, mas estou seguro de que Scolari encontrará a melhor maneira de fazer acreditar a equipa de que pode somar história à história já feita, e chegar à final de Berlim. Não é fácil dirá o leitor, e com razão. Não era fácil com a Holanda, nem com a Inglaterra e aqui estamos, vivinhos da costa. Agora, curiosamente, defrontaremos a França que ainda neste Mundial já parecia morta e enterrada. Ressuscitou e vejam bem com que força, para eliminar, sem reservas, a Espanha, de quem a imprensa vizinha só faltava dizer o minuto em que erguia a taça, e o campeão do Mundo, em título, o Brasil. Pauleta na sua montra preferida
Trocamos Petit por Costinha e Deco Quem quiser fazer figura num Campeonato do Mundo não pode contar apenas com onze jogadores, por muito bons que sejam. Chega-se a uma altura e há sempre gente impedida de jogar, quer por lesões, quer por castigos. Portugal tem grandes ameaças, depois de tantos amarelos que viu no jogo com os holandeses, mas, para já, fica a ganhar com a troca. Petit fica de fora, mas regressam Deco e Costinha. Dois reforços que chegam mesmo a tempo e que trazem uma redobrada ambição. Afinal, nem um nem outro tinham a certeza de voltar a este Mundial. Tudo dependeria do jogo com a Inglaterra, mas regressar, e logo para umas meias-finais do Campeonato do Mundo, não deixa de criar uma motivação extra. Será bom para Portugal que Costinha e Deco regressem fortes. A Selecção já deu sinais de desgaste, precisa de gente com saúde física e pode ainda beneficiar de Costinha jogar numa zona essencial de consolidação do sector defensivo e de Deco ser, indiscutivelmente, insubstituível, na sua acção coordenadora e controladora dos ritmos de ataque da equipa nacional. Com Deco, a estrutura da Selecção ganha sempre outra consistência. Permite a solução de Figo e Cristiano nas alas, cada qual com uma acção específica e diversa. E permite mais oportunidades de passe para Pauleta. Fragilidades mais disfarçadas Portugal regressa, pois, ao seu melhor onze. Esta é, de facto, não apenas a melhor Selecção Nacional, mas também a equipa que permite disfarçar algumas fragilidades, que se tornam mais notórias quando faltam alguns dos titulares. Costinha acrescenta a importância da sua acção directa na consolidação de equilíbrios no jogo aéreo, onde Portugal sofre desvantagem; Deco é mais uma boa solução para lances de bola parada e até para remates de meia distância, algo em que a equipa portuguesa, de facto, também não é forte. Lembremos que Deco fez um excelente golo, frente ao Irão, com um belíssimo remate de fora da área. Poderemos ter, pois, a sorte de poder apresentar, frente à França, uma equipa mais forte do que aquela que apresentámos com a Inglaterra. Assim possa manter o mesmo estado de alma que nos tem ajudado, e muito, a resolver os jogos. |