03/07/2006  "A Bola"  (online)
Espírito português à Scolari

Ao garantir a presença na meia-final do Mundial, a Selecção Nacional deixou bem clara a sua realidade, que alguns pretenderam desvirtuar após o jogo com a Holanda: esta equipa sabe jogar futebol, tem qualidade, tem artistas e tem um espírito novo, guerreiro se se quiser, incutido pelo seleccionador nacional. Em suma, uma equipa de caceteiros e batoteiros não podia estar entre as quatro que querem chegar ao título.

Portugal sempre teve jogadores de qualidade. Por norma, a qualidade desses futebolistas sempre foi determinante para a construção de equipas que jogam bom futebol. Mas à qualidade dos jogadores e futebol produzido faltou muitas vezes não o espírito ganhador, mas o espírito que tantas vezes é decisivo no alterar das dificuldades. Essa atitude guerreira, de antes quebrar que torcer, de dar tudo até à última pinga de suor, foi incutida neste grupo por Luiz Felipe Scolari. O passado e presente do seleccionador nacional não necessita de mais adjectivos. Aquilo que tem feito só é possível a muito poucos, mas o grupo de detractores ganhou novos adeptos depois do jogo com a Holanda. Para trás ficaram três anos de vitórias e jogo limpo, mas aquilo de atípico que se passou frente aos holandeses rapidamente se transformou em realidade. Na verdade é injusto dizer-se que Portugal é uma equipa de caceteiros e de batoteiros, pois uma equipa que aposte apenas nisso jamais teria possibilidade de estar agora a jogar a possibilidade de se tornar campeã mundial.

Agressividade, sim

O que se pode dizer, segundo a nossa óptica, é que a Selecção Nacional juntou à sua qualidade técnica, individual e colectiva, uma agressividade competitiva que não era muito normal no passado. Os jogadores apreenderam rapidamente que com o tal espírito guerreiro, de viver cada segundo como se fosse o último, a possibilidade de vencerem é maior e os resultados estão à vista. O futebol produzido até nem será o mais vistoso, mas qual é a selecção que tem conseguido aliar jogo bonito a resultados? Um bom exemplo será o do Brasil e Carlos Alberto Parreira vai ter de enfiar a viola no saco. O espírito agressivo dos portugueses não serve para os brasileiros, mas Portugal continua por cá e o Brasil já está em casa. Sem ser caceteiro nem batoteiro. Apenas jogando com aquele espírito que Scolari transmitiu.